quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Aumento imoral

Congressistas aprovam reajuste exorbitante dos próprios salários e mais uma vez dão mostras de sua desconexão com a sociedade

É sinal revelador de desconexão com a sociedade e de desconsideração pelo contribuinte o aumento salarial exorbitante que a Câmara e o Senado aprovaram ontem, beneficiando os próprios congressistas e parcela substancial da classe política.
Pelo projeto -um decreto legislativo, que não precisa da sanção presidencial para ser validado-, deputados, senadores, presidente da República, vice-presidente e ministros de Estados passarão a receber mensalmente R$ 26,7 mil, teto salarial do Poder Judiciário.
No caso do presidente e do vice, o reajuste será de 133,9%, uma vez que recebem hoje R$ 11,4 mil. O aumento para os ministros será ainda maior -o salário atual deles é de R$ 10,7 mil. São índices de reajuste extremamente elevados. Sugerem, ou reforçam, a imagem da elite política do país alheia, ou muito distante, da realidade.
Sem demagogia, não se deve ignorar que o salário do chefe do Poder Executivo e dos ministros estavam, de fato, depreciados, desde logo à luz das atribuições e responsabilidades que tais funções envolvem. Desde a década de 90, é sabido que muitos quadros qualificados deixaram a vida pública precocemente, atraídos pelas remunerações do setor privado.
Deveria haver, no entanto, uma maneira menos lesiva para a sociedade de corrigir tais distorções -por meio, por exemplo, de reajustes escalonados, menos estratosféricos e mais compatíveis com as circunstâncias do país.
Isso vale, e com muito mais razão, para o Legislativo. Os congressistas se autoconcederam ontem um aumento de 61,8%, contra uma inflação acumulada de 20% desde abril de 2007, quando houve o último reajuste. Só isso seria suficiente para provocar justa indignação. Ocorre que os R$ 16,5 mil que cada deputado ou senador recebe atualmente como salário correspondem a uma parte relativamente pequena do que custam, de fato, para o contribuinte.
Cada um dos 513 deputados tem à sua disposição, mensalmente, R$ 60 mil de "verba de gabinete", destinada à contratação de assessores (no máximo 25), em Brasília ou em seus Estados de origem. Recebem, também, o chamado "cotão", para gastos com passagens aéreas, correio, telefone. O valor do "cotão" varia, entre R$ 23 mil e R$ 34,3 mil, a depender da distância da residência do parlamentar. E há, ainda, R$ 3.000 de auxílio-moradia, inclusive para os que são do Distrito Federal.
O aumento, escandaloso em si mesmo, vem se somar a uma cultura corporativa de penduricalhos, regalias e flagrante descaso pelo dinheiro público. Considere-se, ainda, que tal reajuste, a ser concedido a partir de fevereiro de 2011, provocará, no caso do Legislativo, um efeito cascata para assembleias e câmaras municipais, estimado em pelo menos R$ 1,8 bilhão por ano. Não é algo que tenha grande impacto fiscal nas contas brasileiras -pode-se argumentar.
Trata-se porém, antes de mais nada, do impacto moral, da sinalização de descaso pela sociedade, do exemplo de desfaçatez que tal medida traduz.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1612201001.htm

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Você

Ainda que me faltassem
as coisas do mundo
Ainda tenho você
Então jamais estarei só!
Divagando, vagando,
Andando, mas nunca em vão.
Sem a sensação deliciosa de sua mão

Deixo a caneta
Deslizar pelo papel
O resultado você lê
Se vai crer?
Talvez!

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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Partida

Em certo momento eu via
E senti o siso que havia
Algo que lentamente crescia
Que, mormente nos dividia
Uma tristeza me invadia
De saber que a cada dia
Um pouco mais de ti partia
Mas hoje entendo o que nascia!
Seu ímpeto, sua vivida ânsia
De uma anunciada partida que me dizia
Mas eu na minha tosca afasia
Fiquei lúgubre e nada entendia
Mas hoje, mesmo de forma tardia
Sei que ficou em ti minha essência
Calma, pura e sadia!

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quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Tempo

O que são cinco minutos ou uma hora de atraso
para pessoa que dependem da caridade e ajuda do próximo
Aqueles que não gozam da faculdade de poder andar
Quanto a nós que dispomos deste privilégio, vivemos calcinados
correndo em busca de sabe-se lá o que...
O tempo é algo nada mais que natural é percorre
um seu trajeto de forma suave e natural
O ser humano do seu afã de modernidade
Foi quem criou dias, calendários e agendas,
tornando a vida algo assaz atribulada e torturante
E desde então vivemos nesta azáfama em busca de nada
Pois mesmo a morte não teria dia contado?
Que chega assim tão natural como qualquer gripe
E não seria muitas vezes o atraso
uma forma de poupar e evitar o trágico?
Estou no coletivo, atrasado por demais!
Recosto minha cabeça ao canto e
durmo um sono profundo
Sonho...
Sonho com uma modernidade
Onde já não existem carros
Desço pela correnteza numa jangada
no marasmo lento do rio...

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quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Preciso

Preciso realmente desse amor
Para me livrar da ojeriza
Desse mundo que me causa asco.

Não preciso enganar,
Pois quem assim age
Engana a si mesmo.

Nem preciso gastar
Versos nem verbos
Com pessoas fartas de erudição!

Mas com você preciso, necessito.
Gastar todos os blocos e folhas.
Enquanto me houver tempo e dedos.
Nesta incansável luta de te
Demonstrar, o meu apreço por você!

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segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Wando - Mordida na maçã

Eu queria me esconder um dia desses
Nun cantinho dos seus olhos só pra ser
Uma lágrima rolando no seu rosto
Pra molhar o seu sorriso ao me ver
Eu queria revirar seu pensamento
Pra fazer seu corpo desejar o meu
Ser a força que de amor te deixa doida
Pra te ouvir dizer que eu seja sempre seu
Quero ser o vento forte em seus cabelos
A saudade apertando o coração
Quero ser o pensamento mais ardente
Em sua boca o retoque do baton
Se for noite de calor eu faço chuva
Pra molhar seu corpo quente só pra mim
Nessa hora te ilumino de estrelas
Viro flores e perfumo seu jardim! humm
Quero ser o arrepio no seu corpo todo! ou ou
A mordida na maçã que não se esquece o gosto! hum
O beijo que te deixa tonta e que te molha a boca! ou ou
Quero ser aquela coisa que te deixa doida! hum
hum hum hum hum hum

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Palco

Urge-se que algo aconteça para que
possa enfim sair deste estupor
Ganhar e adentrar o vivo
espaço das coisas.
Sair do estado expectativo-espectador
Para entrar no atuante-ator
Chega de assistir a cena.
Agora é fazer a encenação
Se dispor a críticas, viver
os riscos implícitos nisso.
Chega de ficar na escuridão da platéia
Agora são, luzes e ação!

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