quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Tempo

O que são cinco minutos ou uma hora de atraso
para pessoa que dependem da caridade e ajuda do próximo
Aqueles que não gozam da faculdade de poder andar
Quanto a nós que dispomos deste privilégio, vivemos calcinados
correndo em busca de sabe-se lá o que...
O tempo é algo nada mais que natural é percorre
um seu trajeto de forma suave e natural
O ser humano do seu afã de modernidade
Foi quem criou dias, calendários e agendas,
tornando a vida algo assaz atribulada e torturante
E desde então vivemos nesta azáfama em busca de nada
Pois mesmo a morte não teria dia contado?
Que chega assim tão natural como qualquer gripe
E não seria muitas vezes o atraso
uma forma de poupar e evitar o trágico?
Estou no coletivo, atrasado por demais!
Recosto minha cabeça ao canto e
durmo um sono profundo
Sonho...
Sonho com uma modernidade
Onde já não existem carros
Desço pela correnteza numa jangada
no marasmo lento do rio...

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quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Preciso

Preciso realmente desse amor
Para me livrar da ojeriza
Desse mundo que me causa asco.

Não preciso enganar,
Pois quem assim age
Engana a si mesmo.

Nem preciso gastar
Versos nem verbos
Com pessoas fartas de erudição!

Mas com você preciso, necessito.
Gastar todos os blocos e folhas.
Enquanto me houver tempo e dedos.
Nesta incansável luta de te
Demonstrar, o meu apreço por você!

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segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Wando - Mordida na maçã

Eu queria me esconder um dia desses
Nun cantinho dos seus olhos só pra ser
Uma lágrima rolando no seu rosto
Pra molhar o seu sorriso ao me ver
Eu queria revirar seu pensamento
Pra fazer seu corpo desejar o meu
Ser a força que de amor te deixa doida
Pra te ouvir dizer que eu seja sempre seu
Quero ser o vento forte em seus cabelos
A saudade apertando o coração
Quero ser o pensamento mais ardente
Em sua boca o retoque do baton
Se for noite de calor eu faço chuva
Pra molhar seu corpo quente só pra mim
Nessa hora te ilumino de estrelas
Viro flores e perfumo seu jardim! humm
Quero ser o arrepio no seu corpo todo! ou ou
A mordida na maçã que não se esquece o gosto! hum
O beijo que te deixa tonta e que te molha a boca! ou ou
Quero ser aquela coisa que te deixa doida! hum
hum hum hum hum hum

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Palco

Urge-se que algo aconteça para que
possa enfim sair deste estupor
Ganhar e adentrar o vivo
espaço das coisas.
Sair do estado expectativo-espectador
Para entrar no atuante-ator
Chega de assistir a cena.
Agora é fazer a encenação
Se dispor a críticas, viver
os riscos implícitos nisso.
Chega de ficar na escuridão da platéia
Agora são, luzes e ação!

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quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Memórias

Viajei sem encargo, sem conseqüências
Nas memórias que me levaram ao passado
Nessa viajem fui sozinho
Revendo detalhes, perfumes,
Seus olhos... Seu semblante!
Quem disse que não existe o eterno?
O pra sempre?
Pois eu digo que existirá
Enquanto existir a lembrança de você.

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quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Reflexão

Um eu introdutivo,
Introspectivo.
Sem mascaras,
Sem efeitos desnecessários.
Despido dos protocolos fúteis da sociedade.
Apenas a paz serena...
O vento me alcança a face
Me satisfaz...
É nesta hora que o tempo
Da rotina passa e se desfaz

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quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Cegos!!!

Estamos presos, trancados, largados a ermo
Envoltos pela neblina densa do sistema
Oprimidos pela vã filosofia, tosca do governo
Que já perdemos contato com nosso “eu” mais profundo
Da ingenuidade pura de uma criança...
Envelheceram-nos prematuramente, nossos corpos e mentes
Que não temos tempo de um sorriso despretensioso
Tudo são matérias, capitais, dividas e tudo mais...
Cegaram-nos e escravizaram-nos, com grilhões torpes
De míseros trocados de pão e circo...
Que nossos olhos se prendem fixamente
Na caixa hipnotizante de cenas e imagens gravadas.
Enquanto isso lá fora existe um mundo diverso e paralelo
Não o mundo de carros e congestionamentos
Não o mundo do ar e som poluídos
Mas sim o mundo que ainda teima em sobreviver
Do sol que nasce e dorme todos os dias
Do pássaro que sobrevoa manso pela sua morada
Da chuva torrencial e barulhenta
Do sopro do ar em forma de vento
Pois então, não temos tempo nem segundo
Para um breve olhar rotundo
Do entorno que nos cerca
Pois estamos dominados
Pela cultura nefasta do materialismo...

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