segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Nota zero

SÃO PAULO - As trapalhadas e a sucessão de falhas que cercam a seleção para as universidades de forma alguma representam um raio em céu azul. Como tantos outros órgãos da administração brasileira, o Inep é mais uma vítima da transformação de repartições públicas em objeto de negociatas políticas e conveniências partidárias.
Os fatos vêm de longe. No final de 2005, o governo Lula ainda não completara três anos, mas o instituto emplacava seu quarto presidente sob a nova administração (hoje já se perdeu a conta de quantos ocuparam a cadeira até agora). Naquela época, um diretor demissionário reclamava nesta mesma Folha do fatiamento da instituição.
"O coordenador do centro de informação e biblioteca do Inep [...] está lá porque é irmão de um político de Brasília. [....] Na minha diretoria, fui obrigado a engolir uma professora de educação física [num cargo que] exige conhecimento de estatística e psicometria." E assinalava que até a sogra de Lindberg Farias, então prefeito de Nova Iguaçu, tinha assento na diretoria.
Pelo andar da carruagem, de lá para cá, quase nada mudou em termos de gestão. Apenas a obsessão pelo amadorismo explica a natureza e a profusão de erros no Enem e no Sisu. Sem saber direito o que falar, o MEC busca refúgio nos grandes números. Em sua defesa, argumenta que, estatisticamente, a quantidade de ocorrências é pequena face ao gigantismo dos exames.
Socialmente falando, o prejuízo não se mede desta forma. Cada estudante atingido pela incúria oficial tem todo o direito de apontar 100% de incompetência. É ele que terá perdido um ano ou mais de sua vida por causa de problemas perfeitamente evitáveis.
Em vez de recorrer ao STJ para impedir contestação nos tribunais, o MEC faria melhor se garantisse a todo e qualquer prejudicado o direito a um exame imparcial. E agisse, por exemplo, com a eficiência da Receita Federal quando avança sobre o bolso dos contribuintes.
RICARDO MELO

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Recordações

Estava perdido nos meus pensamentos
Tropeçando sobre minhas lembranças
Revivi seus rostos, seus sorrisos!
Nossas várias andanças
Sopro de esperança!
Olhei e vi as diversas pegadas
Esparsas que divaguei por ai!
Errante, caminhante,
Parceiro de ti!
E hoje, só me resta,
Esta simples aresta
Das memórias que vivi...

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quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Aumento imoral

Congressistas aprovam reajuste exorbitante dos próprios salários e mais uma vez dão mostras de sua desconexão com a sociedade

É sinal revelador de desconexão com a sociedade e de desconsideração pelo contribuinte o aumento salarial exorbitante que a Câmara e o Senado aprovaram ontem, beneficiando os próprios congressistas e parcela substancial da classe política.
Pelo projeto -um decreto legislativo, que não precisa da sanção presidencial para ser validado-, deputados, senadores, presidente da República, vice-presidente e ministros de Estados passarão a receber mensalmente R$ 26,7 mil, teto salarial do Poder Judiciário.
No caso do presidente e do vice, o reajuste será de 133,9%, uma vez que recebem hoje R$ 11,4 mil. O aumento para os ministros será ainda maior -o salário atual deles é de R$ 10,7 mil. São índices de reajuste extremamente elevados. Sugerem, ou reforçam, a imagem da elite política do país alheia, ou muito distante, da realidade.
Sem demagogia, não se deve ignorar que o salário do chefe do Poder Executivo e dos ministros estavam, de fato, depreciados, desde logo à luz das atribuições e responsabilidades que tais funções envolvem. Desde a década de 90, é sabido que muitos quadros qualificados deixaram a vida pública precocemente, atraídos pelas remunerações do setor privado.
Deveria haver, no entanto, uma maneira menos lesiva para a sociedade de corrigir tais distorções -por meio, por exemplo, de reajustes escalonados, menos estratosféricos e mais compatíveis com as circunstâncias do país.
Isso vale, e com muito mais razão, para o Legislativo. Os congressistas se autoconcederam ontem um aumento de 61,8%, contra uma inflação acumulada de 20% desde abril de 2007, quando houve o último reajuste. Só isso seria suficiente para provocar justa indignação. Ocorre que os R$ 16,5 mil que cada deputado ou senador recebe atualmente como salário correspondem a uma parte relativamente pequena do que custam, de fato, para o contribuinte.
Cada um dos 513 deputados tem à sua disposição, mensalmente, R$ 60 mil de "verba de gabinete", destinada à contratação de assessores (no máximo 25), em Brasília ou em seus Estados de origem. Recebem, também, o chamado "cotão", para gastos com passagens aéreas, correio, telefone. O valor do "cotão" varia, entre R$ 23 mil e R$ 34,3 mil, a depender da distância da residência do parlamentar. E há, ainda, R$ 3.000 de auxílio-moradia, inclusive para os que são do Distrito Federal.
O aumento, escandaloso em si mesmo, vem se somar a uma cultura corporativa de penduricalhos, regalias e flagrante descaso pelo dinheiro público. Considere-se, ainda, que tal reajuste, a ser concedido a partir de fevereiro de 2011, provocará, no caso do Legislativo, um efeito cascata para assembleias e câmaras municipais, estimado em pelo menos R$ 1,8 bilhão por ano. Não é algo que tenha grande impacto fiscal nas contas brasileiras -pode-se argumentar.
Trata-se porém, antes de mais nada, do impacto moral, da sinalização de descaso pela sociedade, do exemplo de desfaçatez que tal medida traduz.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1612201001.htm

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Você

Ainda que me faltassem
as coisas do mundo
Ainda tenho você
Então jamais estarei só!
Divagando, vagando,
Andando, mas nunca em vão.
Sem a sensação deliciosa de sua mão

Deixo a caneta
Deslizar pelo papel
O resultado você lê
Se vai crer?
Talvez!

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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Partida

Em certo momento eu via
E senti o siso que havia
Algo que lentamente crescia
Que, mormente nos dividia
Uma tristeza me invadia
De saber que a cada dia
Um pouco mais de ti partia
Mas hoje entendo o que nascia!
Seu ímpeto, sua vivida ânsia
De uma anunciada partida que me dizia
Mas eu na minha tosca afasia
Fiquei lúgubre e nada entendia
Mas hoje, mesmo de forma tardia
Sei que ficou em ti minha essência
Calma, pura e sadia!

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quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Tempo

O que são cinco minutos ou uma hora de atraso
para pessoa que dependem da caridade e ajuda do próximo
Aqueles que não gozam da faculdade de poder andar
Quanto a nós que dispomos deste privilégio, vivemos calcinados
correndo em busca de sabe-se lá o que...
O tempo é algo nada mais que natural é percorre
um seu trajeto de forma suave e natural
O ser humano do seu afã de modernidade
Foi quem criou dias, calendários e agendas,
tornando a vida algo assaz atribulada e torturante
E desde então vivemos nesta azáfama em busca de nada
Pois mesmo a morte não teria dia contado?
Que chega assim tão natural como qualquer gripe
E não seria muitas vezes o atraso
uma forma de poupar e evitar o trágico?
Estou no coletivo, atrasado por demais!
Recosto minha cabeça ao canto e
durmo um sono profundo
Sonho...
Sonho com uma modernidade
Onde já não existem carros
Desço pela correnteza numa jangada
no marasmo lento do rio...

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quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Preciso

Preciso realmente desse amor
Para me livrar da ojeriza
Desse mundo que me causa asco.

Não preciso enganar,
Pois quem assim age
Engana a si mesmo.

Nem preciso gastar
Versos nem verbos
Com pessoas fartas de erudição!

Mas com você preciso, necessito.
Gastar todos os blocos e folhas.
Enquanto me houver tempo e dedos.
Nesta incansável luta de te
Demonstrar, o meu apreço por você!

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